quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Você toca ou coleciona?

Hoje em dia tudo é descartável por causa da globalização da tecnologia evoluindo cada vez mais da internet deixando tudo mais fácil. Isso é ruim? Não! Mais devemos tomar cuidado e nos auto observar por que muita das vezes o que acaba acontecendo é isso você usa escuta algo uma vez acabou não absorve nada fica tudo guardado baixando centenas de música colecionado vários dvd´s e Mp3 da vida e ai?
Você conseguiu absorve alguma coisa no sentido melodia ,condução rítmica< acordes ou texturas diferente arranjos no geral?  Pois é isso que não acabamos fazendo!
É mais ou menos como você lê -se um livro e soubeu-se contar a historia sem a consulta do livro, ou seja, você fixou aquilo absorveu para si. Já dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade  e agora José! A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?


Esse exemplo estou pegando como referencia, claro que da para interpretar com outras situações Ou seja, o poeta até chegar a outro "eu", "José" - "E agora, José?" ("José"), que se pergunta sobre o significado da própria existência e do mundo.
É mais ou menos assim acabou de baixar tudo, terminou sua coleção, entendeu tudo como deve fazer, sabe o que deve fazer, tem o instrumento legal na mão, internet. mp3
Etc... Mais você retém isso pra para si? VOCE TOCA OU COLECIONA?
Vamos lá e agora josé?

( Daniel Vacani )

                                                                     E agora, José?

A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?
 
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?
 
E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?
 
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?
 
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !
 
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?
Carlos Drummond de Andrade

2 comentários:

Laís Ravache disse...

brinco!

Daniel disse...

Isso ai falando sério!! A gente toca ou coleciona rsrs..